LUIZ FERREIRA FREIRE
38º MANDATÁRIO DO RIO GRANDE DO NORTE
(TRIGÉSIMO OITAVO) GOVERNANTE DA CAPITANIA DO
RIO GRANDE DO NORTE, NO PERÍODO DE 03 DE
JUNHO DE 1718 A 28 DE FEVEREIRO DE 1722
(ÚNICO MANDATO)
PRECEDIDO
POR
DOMINGOS AMADO
SUCEDIDO POR
GOVERNO DO SENADO DA CÂMARA
Assinalam os Registros de Cartas e Provisões do Senado da
Câmara de Natal (Livro 7º), que foi nomeado por Patente Real de 23 de janeiro
de 1718. Responsável e previdente, deixou a família em Portugal, após
assegurar-lhe, com aval da Corte, a soma de dez mil réis mensais – então
suficientes para os seus encargos –, em seguida vindo para o Brasil, onde
deveria permanecer por três anos, segundo especificava o documento, podendo não
obstante estender-se o período, ...enquanto não lhe mandasse sucessor -, rezava
o texto real. Em Pernambuco, a 11 de junho, prestou juramento ante o
Capitão-General Dom Lourenço de Almeida, Governador daquela Capitania, e a 3 de
julho do mesmo ano assumiu o posto perante o Senado da Câmara de Natal, em ato
solene no âmbito da Matriz. Homem semi-analfabeto, Ferreira Freire era de
natureza rude, de caráter prepotente, afeito a métodos violentos quando
contrariado em suas resoluções. Prestara serviços em Portugal (nas províncias
do Minho, Alentejo, Beira e Trás-os-Montes) como praça, cabo-de-esquadra,
sargento e alferes ajudante de infantaria. Com o providencial apoio do Terço
dos Paulistas, conteve as escaramuças com os índios e dispersou-os pelos
sertões da Paraíba e do Ceará. Inaugurou (grifo nosso) o edifício da Cadeia,
com um andar superior, na atual Praça André de Albuquerque, onde está hoje o nº
604, destruída em 1911, quando os presos foram transferidos para o (então) novo
prédio no Morro de Petrópolis, por trás do Hospital (Onofre Lopes,
presentemente), onde funciona o Centro de Turismo, registram VICENTE DE LEMOS e
TARCÍSIO MEDEIROS (1980, pp., 35-36). Vê-se que esta informação é de que inaugurou
e não de que construiu tal imóvel. Tratar-se-á de uma recuperação ou
restauração de estrutura precedente? É o que supomos, haja vista este fato
ter-se dado em vésperas de seu assassinato (fev., 1722), enquanto há notícia de
que, anos antes, referido presídio achava-se em situação crítica, conforme
relata HÉLIO GALVÃO: Não se encontrou, ainda, a data de inauguração da primeira
cadeia de Natal. Devia ser uma construção precária, de pouca segurança, para
garantir a disciplina dos presos e, assim, proporcionar uma atmosfera de
tranquilidade (para os residentes no seu entorno). Ignoram-se as datas mas o
local está identificado: era na Rua Grande, hoje Praça André de Albuquerque, em
frente à Matriz. Foi de breve duração porque já em 1716, 5 de setembro, o Ouvidor-Geral
da Capitania da Paraíba comunicava a el-rei ´que a cadeia desta cidade se
achava totalmente arruinada de forma que nela se não podiam já recolher
criminosos´, e por isto logo se tratou de edificar outra (1999, pp. 147-148).
Dissemos há pouco do seu temperamento grosseiro e atitudes arbitrárias, pelo
que chegou a indispor-se com o Senado da Câmara e com parte da população.
Sequestrou uma jovem, por exemplo (Maria de Sá, filha de Mateus Rodrigues de
Sá, residente na cidade), tornando-a sua amásia, e do Vereador Manuel de Melo e
Albuquerque – inclusive parente da raptada – tomou uma escrava para servir
àquela. Às reclamações e protestos respondia com novos atos tirânicos, a ponto
de ameaçar o pai da jovem Maria de Sá por pedir-lhe a restituição da moça e
aprisionar Manuel de Melo em cela da Fortaleza por tentar reaver a escrava,
libertandoo, assim como as mulheres, quarenta dias depois, em obediência a
severas ordens oriundas de Pernambuco, capitania a que esta achava-se então
subordinada. Diz-se que logo tornaria às ameaças, na tentativa de que lhe
fossem devolvidas aquelas moças. Poucos dias após esse último entrevero, nas
primeiras horas da noite do dia 22 de fevereiro, foi ferido com um tiro de
arcabuz à porta de sua casa na Rua Grande, do qual morreu ao sétimo dia. A
metrópole mandou investigar o crime que, no entanto, jamais seria desvendado.
Na referida data o Senado da Câmara assumiu o governo, cumprindo preceito
legal, ao qual se seguiu, ainda no correr de março de 1722, a administração de
José Pereira da Fonseca.
FONTE – FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO