FATOS POLICIAIS

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

 


LUIZ FERREIRA FREIRE

38º MANDATÁRIO DO RIO GRANDE DO NORTE

  (TRIGÉSIMO OITAVO) GOVERNANTE DA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE, NO PERÍODO DE  03 DE JUNHO DE  1718 A 28 DE FEVEREIRO DE 1722

(ÚNICO MANDATO)

 PRECEDIDO POR

 DOMINGOS AMADO

SUCEDIDO POR

 GOVERNO DO SENADO DA CÂMARA

Assinalam os Registros de Cartas e Provisões do Senado da Câmara de Natal (Livro 7º), que foi nomeado por Patente Real de 23 de janeiro de 1718. Responsável e previdente, deixou a família em Portugal, após assegurar-lhe, com aval da Corte, a soma de dez mil réis mensais – então suficientes para os seus encargos –, em seguida vindo para o Brasil, onde deveria permanecer por três anos, segundo especificava o documento, podendo não obstante estender-se o período, ...enquanto não lhe mandasse sucessor -, rezava o texto real. Em Pernambuco, a 11 de junho, prestou juramento ante o Capitão-General Dom Lourenço de Almeida, Governador daquela Capitania, e a 3 de julho do mesmo ano assumiu o posto perante o Senado da Câmara de Natal, em ato solene no âmbito da Matriz. Homem semi-analfabeto, Ferreira Freire era de natureza rude, de caráter prepotente, afeito a métodos violentos quando contrariado em suas resoluções. Prestara serviços em Portugal (nas províncias do Minho, Alentejo, Beira e Trás-os-Montes) como praça, cabo-de-esquadra, sargento e alferes ajudante de infantaria. Com o providencial apoio do Terço dos Paulistas, conteve as escaramuças com os índios e dispersou-os pelos sertões da Paraíba e do Ceará. Inaugurou (grifo nosso) o edifício da Cadeia, com um andar superior, na atual Praça André de Albuquerque, onde está hoje o nº 604, destruída em 1911, quando os presos foram transferidos para o (então) novo prédio no Morro de Petrópolis, por trás do Hospital (Onofre Lopes, presentemente), onde funciona o Centro de Turismo, registram VICENTE DE LEMOS e TARCÍSIO MEDEIROS (1980, pp., 35-36). Vê-se que esta informação é de que inaugurou e não de que construiu tal imóvel. Tratar-se-á de uma recuperação ou restauração de estrutura precedente? É o que supomos, haja vista este fato ter-se dado em vésperas de seu assassinato (fev., 1722), enquanto há notícia de que, anos antes, referido presídio achava-se em situação crítica, conforme relata HÉLIO GALVÃO: Não se encontrou, ainda, a data de inauguração da primeira cadeia de Natal. Devia ser uma construção precária, de pouca segurança, para garantir a disciplina dos presos e, assim, proporcionar uma atmosfera de tranquilidade (para os residentes no seu entorno). Ignoram-se as datas mas o local está identificado: era na Rua Grande, hoje Praça André de Albuquerque, em frente à Matriz. Foi de breve duração porque já em 1716, 5 de setembro, o Ouvidor-Geral da Capitania da Paraíba comunicava a el-rei ´que a cadeia desta cidade se achava totalmente arruinada de forma que nela se não podiam já recolher criminosos´, e por isto logo se tratou de edificar outra (1999, pp. 147-148). Dissemos há pouco do seu temperamento grosseiro e atitudes arbitrárias, pelo que chegou a indispor-se com o Senado da Câmara e com parte da população. Sequestrou uma jovem, por exemplo (Maria de Sá, filha de Mateus Rodrigues de Sá, residente na cidade), tornando-a sua amásia, e do Vereador Manuel de Melo e Albuquerque – inclusive parente da raptada – tomou uma escrava para servir àquela. Às reclamações e protestos respondia com novos atos tirânicos, a ponto de ameaçar o pai da jovem Maria de Sá por pedir-lhe a restituição da moça e aprisionar Manuel de Melo em cela da Fortaleza por tentar reaver a escrava, libertandoo, assim como as mulheres, quarenta dias depois, em obediência a severas ordens oriundas de Pernambuco, capitania a que esta achava-se então subordinada. Diz-se que logo tornaria às ameaças, na tentativa de que lhe fossem devolvidas aquelas moças. Poucos dias após esse último entrevero, nas primeiras horas da noite do dia 22 de fevereiro, foi ferido com um tiro de arcabuz à porta de sua casa na Rua Grande, do qual morreu ao sétimo dia. A metrópole mandou investigar o crime que, no entanto, jamais seria desvendado. Na referida data o Senado da Câmara assumiu o governo, cumprindo preceito legal, ao qual se seguiu, ainda no correr de março de 1722, a administração de José Pereira da Fonseca.

FONTE – FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

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